VIDAS DE PUTAS. QUE FAZEM HISTÓRIA


4 histórias de Vida do Maior Prostíbulu da América Latina.VEJA O GRANDE FILME NO FINAL!











“Eu era dançarina de uma banda regional. Dentro de 1h30 de show eu ganhava R$80. Na primeira vez que eu fiz um programa ganhei R$300 em 1h”. Esta declaração logo nos primeiro minutos de filme me motivou a escrever sobre o - Eu enquanto elas, um documentário de 9” que conta  a trajetória de 4 garotas de programa, entre elas uma travesti, que trabalham no maior prostíbolu da América Latina. Gravado em SP, o filme dirigido pelas jovens cineastas Cecí Estevão e Bárbara Giacobelli foi realizado no período da Copa de 2014, e, apesar da pouca repercussão é um relato "desmistificador" da motivação de profissionais do sexo para o ingresso neste ramo. 

Em pouco tempo de filme as diretoras levantam relatos importantes que desvelam desde questões econômicas até sociais como machismo e racismo. Uma das entrevistadas, que é  negras, desabafa:  “Eu vou te dizer: se uma menina negra ganha R$200 numa noite uma loira ganha de R$400 a R$600.” Sua colega de profissão ressalta outro aspecto “Todo dia eu aprendo um pouco aqui. Eu costumo dizer que quando você namora os caras te chamam de puta e vagabunda e não quer mais olhar na sua cara. Quando você vira puta eles querem casar. Ter filhos e te tirar da Vida.”  Duas faces da mesma moeda que você pode conferir no vídeo abaixo, além de conhecer um pouco dos bastidores desta produção na entrevista que fiz com uma das diretoras, a noviça Cecí Estevão.


S K - É ofensivo chamar a casa de puteiro?
C E - Então, se trata de uma parte de um bairro, o jardim Itatinga onde parte são casas com mulheres e outra parte com travestis. Eles chamam de casas ou boates, mas, puteiro não seria ofensivo. Agora quanto as profissionais, elas preferem ser chamadas de garotas de programa.
S K - Vc é a diretora? O que te motivou a falar do tema?
C E - Eu e a Bárbara Giacobelli idealizamos o trabalho desde o início e contamos desde o início com a RECMA PRODUÇÕES para a realização. A proposta foi a seguinte: a faculdade pediu um trabalho cujo tema deveria ser sobre a Copa. Ficamos muito broxadas c o tema. Geral da faculdade resolveu falar sobre escolinha de futebol ou os gastos abusivos da copa. Nenhuma novidade, nada impactante. Eu, Bárbara E TODOS DA RECMA sempre compramos brigas e puxamos debates. E, na época da copa muito se falou da legalização da profissão do sexo, mas, nós queríamos saber da boca dessas profissionais. Outro ponto é q esse é o maior prostibulo da América Latina e fica na  nossa cidade. Daí, decidimos participar do projeto proposto pelos professores utilizando este tema. Advinha? Nenhum professor apoiou. Mesmo assim fizemos e deu certo.
S K - Quantas histórias vocês contam ali eu vi quatro. É isso mesmo?
C E - Gravamos com 7 pessoas, mas, exibimos apenas 4.
S K- Como é o nome desta Casa?
C E - Por questões éticas a equipe prefere não revelar o nome das fontes, nem da casa. A intenção do documentário é humanizar a forma em que estas trabalhadoras são vista. Não é intuito promover os serviços.
S K - Vocês enfrentaram preconceito ao abordar o tema? Teve alguma dificuldade de entrar com uma câmera? Como foi a produção das entrevistas? 
C E - Preconceito por parte dos nossos professores e algumas colegas, dizendo q éramos loucas de entrar nesse tipo de lugar . Depois que o trabalho ficou pronto todo mundo adorou e repassou pra geral, e  nas exibições do doc tínhamos bastante espaço para debater. Deus cuida exatamente de tudo. Tínhamos apenas 1 mês e nada de conseguir os contatos ou o q tínhamos não era o q queríamos pro roteiro. Então, uma mulher que é cliente, lésbica e pinta essa casa um dia veio falar com a Bárbara no centro espírita dizendo q sabia da nossa procura e que poderia nos colocar ali dentro. A verdade é que tínhamos pouco tempo, mas fomos abençoadas. Pois lá é muito complicado gravar sem autorização das pessoas certas. Todos ficam muito desconfiados. Gravamos na casa, especificamente no quarto onde elas moram. Tudo nosso e muito simples. Todas as entrevistadas estavam bastante dispostas, e chegávamos pra gravar no horário de descanso delas. Das 3 meninas q gravamos e não entrou no doc. Teve uma em especial que tivemos problemas, mas, o depoimento dela foi muito bom, inclusive, ela estava grávida de 6 meses. E após um programa traumático ela decidiu trabalhar no bar da casa. Ela nos contou que um cara no final do programa te disse: - Adorei comer a sua bucetinha e da sua filha. Foi o bastante! Pensa Sueide....Como tem gente doente nesse mundo.
S K - O que você guardou desta experiência?
C E - Muitas coisas mesmo. Pensa num pancadão q acontece sempre no dia de pagamento onde as meninas ficam 12 horas fazendo sexo e tocando funk. A maioria delas vem do PARÁ. E o mesmo quarto q dormem é o q fazem o programa. No dia q exibimos o filme na rua pra elas. Foi muito estranho. Elas olhavam as imagens e umas comentavam com as outras -"É isso que eu passo" meio que a ficha delas caiu ao se verem na tela, elas perceberam o tamanho de sua força e história.
S K - Vocês pretendem se aprofundar no tema? Voltar lá depois e saber como está a vida dessas pessoas?
C E - E para encerrar a mensagem que fica é q não devemos nunca ser ou tratar as pessoas como objetos de estudo e sim ser protagonistas do processo.Eu achava q a legalização era o melhor até bandeiras puxei defendendo isso, é depois q entrei lá vi o q elas realmente pensam ...me senti envergonhada!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PAULA MAGALHÃES, FILHA DE LUIS EDUARDO MAGALHÃES, DONA DE 33% DA REDE BAHIA, É A DONA DA AXXO

"VOCÊ FAZ FAXINA?" "NÃO, FAÇO MESTRADO. SOU PROFESSORA"

ELIKA TAKIMOTO: COTAS, ESCOLA PÚBLICA. A REALIDADE É DURA MAS MUTÁVEL.