Baiano, não negro, pode comer caruru? Oh! “Me deixem”, viu!QUE MALUQUICE! QUE BESTEIROL! QUALQUER UM PODE USAR TURBANTE!



QUE MALUQUICE! QUE BESTEIROL! QUALQUER UM PODE USAR TURBANTE!

































Gostei desse artigo de Medrado. Não podemos perder o foco do que importa realmente pra lutar.

Vamos trabalhar?

 | por José Medrado*

É sabido que o Poder Legislativo, em todas as suas instâncias, de um modo geral, se tornou apenas um chancelador da vontade dos que estão sentados na cadeira do Executivo. Surge, assim, entendo, uma produtividade quase zero de ações, em leis nascidas dos senhores edis. Imagino, consequentemente, que nesses devaneios vazios de alguns desses senhores perpassa: O que vou inventar agora, para ter espaço na mídia, ou registrar meu nome em alguma coisa de fato minha? Já disse o escritor inglês, Neil Gaiman, que se extraem ideias de devaneios. Extraem-se ideias do tédio. Extraem-se ideias o tempo todo. A única diferença entre, assim penso, os que produzem boas ideias no ócio e muitos políticos que pouco fazem, é que estes últimos conseguem do nada fazer coisa alguma. Falo aqui, por exemplo, da senhora vereadora Rogéria Santos (PRB), querendo criar o dia do turbante. Registro esta crítica, por pedido da própria Câmara dos Vereadores, em matéria publicitária na TV.
Certamente, a edil quis chamar a atenção para si sobre um assunto que está sendo recorrente nas redes sociais. Falo da moda com a alcunha de apropriação cultural, onde um “segmento étnico” faz uso de material “pertencente” a outra etnia que não a sua.  Em verdade, essa ideia de apropriação cultural foi importada das terras do tio Sam, quando em 2015 na apresentação da cantora americana Miley Cyrus, no Video Music Awards , ela foi acusada de usar símbolos, gestos e danças que foram popularizados e sempre associados a artistas negros. Já aqui no Brasil o mote nasceu de uma suporta reação de uma menina negra, em Curitiba, a uma  branca que estava de turbante.
Ora, ora, todos sabemos que cultura não é algo estanque, que não se mantém incólume, intocável ao longo da caminha do tempo. De forma alguma. A cultura de um lugar, de um povo e de um tempo vão se propagando, avançando, difundindo-se em seus valores e absorvendo, influenciada por diversos fatores, expressão além de si mesma. Assim, é certo, que o desafio das “diversas culturas” é manter a sua tradição, no saber da origem, jamais da posse que se perde pelo uso geral de todos que admiram aquelas manifestações.
Nessa nossa sociedade que tem se tornado tão dividida, vejo como demagogia alguém propor o dia do turbante, tentando agradar “uma” cultura e desqualificar a “moda europeia“, considerando que a cultura brasileira tem sua formação sobre o edifício do europeu, indígena e africano. Além disso, é procurar em nome da restrição de entendimento, fazer “bonito” a um segmento da nossa cidade.
Nessa visão limitada, surgirão diversas perguntas, como: “brancos” podem cantar rap? Quem pode jogar capoeira? E lutar judô quem poderá? Ocidentais podem praticar o xamanismo indígena ou fazer a yoga indiana? Um “branco” como Carlos Bastos deveria ter pintado negras com turbantes? Baiano não negro pode comer caruru? Oh! “Me deixem”, viu!
Por favor, senhores edis, vamos pensar e agir em cima de assuntos que de fato são importantes para a nossa Cidade? Vamos fazer um esforçozinho? Eu sugiro uma pequena pauta, permitam-me a presunção: os senhores sabem, por exemplo, quantos abrigos têm em Salvador para crianças órfãs, ou em situação de risco social Sabem a diferença de uma e outra?  Sabem quanto o município paga em renda per capita por cada criança em casa de acolhimento, abrigo ou orfanato (como queiram)? Sabe como essas instituições têm vivido? Há na cidade casa de passagem para pernoites de moradores de rua, ou de quem está na rua? Sabe o déficit em creche? Pois é, vamos lá, vamos trabalhar realmente. Descabido dizer que não alcanço a todos.
* José Medrado é líder espírita, fundador da Cidade da Luz, palestrante espírita e mestre em Família pela UCSal.

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