"DESCONSTRUIR A MATERNIDADE"??NUNCA! (E o primeiro chuete na barriga?)

ARTIGO PINTA EM CORES FEIAS A RIQUEZA DE SER MÃE!





Tem um site que publicou um artigo, que vou publicar aqui, mas antes publico minha reação, certa ou errada:

Antonio Do Carmo Não acredito no que acabei de ler! que coisa horrível! l! como pode falar isso de quem é mãe? como pode falar isso do olhar entre mãe e filho amamentando que só eles, naquele momento, goza do carinho extremo? como pode falar isso do prazer, indescritível, da mulher, quando sente, e só ela sente, aquela vida dando o primeiro chute na sua barriga?

 como pode falar isso, de quem sente, com forte amor e emoção, a alegria de ver sua cria na barriga nos exames de imagem que mostra a saúde e os traços daquele ser de Deus? como pode falar isso de uma mulher, que só ela passa o momento, ao sentir forte amor e emoção no momento imediatamente após o parto, quando a enfermeira bota a criança no peito pra primeira mamada e aquela coisinha de Deus, na sala de parto, faz sua primeira pega no peito? 

como pode falar isso de uma mulher que vive cada dia da construção do enxoval do Bebê, chora, se emociona, vive rindo o tempo todo de cada peça que ganha, que compra, como a pessoa mais besta e deliciosa do mundo! ? 

Como pode falar isso de uma mulher que chora, ri, se emociona ao limite ao ver, ouvir, aquela coisinha dizer sua primeira palavra? Como pode falar isso de uma mulher, guerreira, mulher de verdade, que se emociona ao levar seu filho filha no primeiro dia da escola? Como falar isso de quem, mulher, se preocupa com o futuro de seu filho, se preocupa com a melhor forma, sem deixar trauma, de fazer o "desmame" ?

 Como falar isso da mulher que enfrenta todos os percalços de ser mãe, de forma altiva, de cabeça erguida, dos sacrifícios"" que faz na sua vida pessoal? Como falar isso de quem, de forma viva e altiva, cobra ao marido o compartilhar cada momento da nova vida? 

Como falar isso de quem tem coragem de se trancar no banheiro, pedir um minuto pra ficar só, mas em seguida não guenta deixar de lamber cada segundo de sua cria? SER MÃE É SER MUITO MULHER! Axé! Oyá Ô! Ora Yê Yê Ô!

O ARTIGO: 

"Desconstruir a maternidade romântica é nosso papel

Por Julia Harger – 22 novembro 2015 – Vegana é a sua mãe


A forma como a sociedade coloca a maternidade romântica, tipo aquela idéia de que mães são seres perfeitos, sempre sorrindo, angelicais, santas que jamais erram, é uma das ferramentas de opressão para nos vender a vontade de ser mãe.
Já cansei de ouvir de amigas childfree convictas [que não querem ter filhos] que elas ainda tem um pedacinho lá dentro de vontadinha de ter filhos. Vontadinha essa, queridas, provocada pelo marketing que o sistema patriarcal faz em cima da maternidade.
Eles querem te seduzir sim. Sabe porque? Por que mãe é mulher que não age. Mãe fica quieta pois tem seu tempo reduzido. Mãe não incomoda. Mãe está, em muitos casos, fora do mercado de trabalho. Mãe tem pouco tempo: o tempo que tem é precioso e normalmente é usado para coisas urgentes. Ativismo fica por último. Uma mãe é uma mulher com muito menos tempo de incomodar e de reivindicar seus direitos na sociedade. 
Mas eu estou aqui para tentar mudar isso. Eu, mãe apaixonada louca pela cria, estou aqui para te dizer: essa romantização é uma mentira. Maternidade é uma responsabilidade pesada. Sim, é apaixonante, visceral e não posso mais ver a minha vida de outra maneira, porém vamos a verdade: tem que querer muito. Não compre a idéia poética de ser mãe.
Mãe não é exclusivamente amor, carinho e compaixão. Mãe é uma mulher que sofre, que chora, que reclama. Mãe se tranca no banheiro por minutos livre pela sua sanidade. Mãe é uma mulher que, como nunca antes, questiona o patriarcado e os malditos papéis de gêneros dentro da maternidade. Mãe fica com inveja do pai e da vida dele que segue tão igual a antes. Mãe sente vontade de ter nascido homem. Mãe se exclui socialmente. Mãe carrega nas costas dupla ou tripla jornada. Mãe abre mão da vida profissional porque não tem escolha. Ou em muitos casos aceita qualquer trabalho porque precisa. Mãe vai rodar na entrevista de emprego, adivinha porque? Por que é mãe. Mãe talvez seja uma mãe que não pôde ter acesso ao aborto e tenha sido obrigada a sê-lo. Mãe se arrepende. Sim, de ter se tornado mãe: pelo menos por um segundo, ela se arrependerá. Mãe se sente sozinha. Mãe vai querer que a licença maternidade acabe logo, e depois não vai querer que acabe nunca. Dói ficar em casa 100% do tempo com um bebê mas também dói sair de casa sem ele. Mãe é contradição. Mãe atura marido por medo de se separar. Por medo de ser mãe solteira. Mãe atura até violência doméstica por isso. Mãe tem dores. Físicas e psicológicas, muitas dores. Além das suas dores, mãe também sente as da cria (10x mais forte). Mãe é mulher sobrecarregada. É mulher há dias sem dormir. Cansada. É mulher sem o mínimo de vaidade pois já abriu mão do que não é urgente. Ou é mulher vaidosa que se sente feia por não ter tempo. Mãe se sente muito feia. Tem que se acostumar com o novo corpo. Mãe passa fome. Passa dias sem tomar banho. Mãe olha para o céu e agradece quando consegue fazer xixi. Mãe tem suas vontades e necessidades jogadas para o lado para atender a cria. “Ahhhh mas mãe que é mãe faz isso feliz”. Ela tem escolha? Mãe é insegura. Mãe é uma mulher que se tornou tão vulnerável quanto como se sua pele do peito fosse arrancada e o coração estivesse exposto ali assim tão fácil de ser machucado.
Mãe se culpa, se culpa, se culpa diariamente e se questionará como mãe para o resto da vida pois a sociedade não vai cansar de apontar o dedo e lembrá-la de como ela provavelmente está fazendo isso errado.
Mãe é uma mulher que sonhou com a maternidade romântica e sofreu muito para adaptar-se quando viu que a realidade é bem diferente. E que, por conta da poesia que todos pensam quando se fala em “ser mãe”, ela não se sente no direito de reclamar. Não sem se sentir envergonhada ou culpada. Porque MÃE É MÃE, dizem todos. Essa frase opressora que serve de justificativa para que aceitemos todo o peso da maternidade sem reclamar, quase como se fosse “agora aguenta”.
E é claro que eu escrevo esse texto com o coração e com culpa, pois afinal MÃE É MÃE, né? O que eu estava pensando? Ainda bem que, no sofrimento, na surra, nas situações difíceis nós também crescemos. Agradeço a maternidade por me mostrar o quão forte nós realmente somos. E você nos subestima patriarcado, quando acha que a falta de tempo que a maternidade acarreta vai nos calar. Estamos juntando nossas forças. Nos aguarde.

Antonio do Carmo


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